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Louco por motos

Causos: A bolha

por Mário Sérgio Figueredo, em 03.11.08

 

Depois de uma série de Saharas, resolvi comprar uma Shadow 600, para ver se me adaptava às custom. Nossa relação não deu certo e foi o que podemos chamar de ódio à primeira vista. Logo que saí da concessionária onde a comprei, passados menos de 5 minutos, quase levei o primeiro tombo ao fazer o retorno numa avenida. Quando deitei pra fazer o retorno ela começou a raspar tudo no chão, sendo que pra completar a manobra teria que incliná-la muito mais e se não fosse o portão aberto de uma loja de carros, teria me estatelado no muro. Só parei no pátio da loja.

 


Shadow  VT-600

 

Dentro do que eu estava acostumado, a Shadow não andava, não freiava, não fazia curva e era dura demais provocando reclamações da minha esposa e companheira de estrada, pelo desconforto do banco do garupa. Fiquei com ela exatos 28 dias até vendê-la e comprar novamente outra Sahara. Não quero criar polêmica pois sei que existem pessoas que amam a Shadow e respeito isso - pra mim ela não serviu mas é ótima pra outras pessoas.

 

Logo que comprei a Shadow resolvi dar um passeio até o nosso litoral, aproveitando um dia de sol escaldante.

 

Como estava muito calor e eu estava só passeando (em baixa velocidade, tentando me acostumar com ela e dando uma outra chance para nos entendermos), tirei a jaqueta e amarrei sobre o banco do carona, ficando só com uma camisa de mangas curtas, com os braços expostos ao sol.

 

Minha pele dos braços já estava acostumada com o sol e não queimava mesmo com grandes exposições. Só que a posição de pilotagem da Sahara é uma: o punho fica quase reto em relação ao braço, fazendo com que o relógio fique num lugar. A posição de pilotagem da Shadow é outra e faz com que o punho fique curvado.

 

Com a nova posição o relógio mudou de lugar no punho e deixou ao sol o ponto que antes ele protegia. No final do passeio senti apenas um ardor diferente no meu punho, nada preocupante. Mas quando acordei no dia seguinte, naquele local havia uma bolha - daquelas de queimadura - do tamanho do círculo do relógio. Doía mas era suportável.

 

Quando a bolha estourou e a queimadura começou a cicatrizar é que o bicho pegou. Tive que ficar sem andar de moto pelo menos uma semana pois ao movimentar o punho a "casquinha" que se formava pela cicatrização rachava e além de doer muito, sangrava com frequência.

 

Demorou mais de um mês pra tudo voltar ao normal mas aprendi a lição. Tá certo que foi do jeito mais doloroso, mas aprendi.

 

Não importa se está frio ou calor, a jaqueta é sempre indispensável na estrada, pois além da proteção solar, numa situação imprevista rala-se o couro da vaca que é menos doloroso que ralar o nosso próprio couro.

 

 

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