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Louco por motos

Mulheres motoqueiras

por Mário Sérgio Figueredo, em 13.11.08

 

Há uns 8 anos atrás, estava eu na estrada que liga Curitiba(PR) a Joinville(SC) e lá no meio da Serra do Mar tem uma parada quase obrigatória num boteco, um lugar muito bonito, com bica d'água potável, pedras e muito verde, onde dá para tomar uma coca e repor o nível de nicotina no sangue.

 

Estava lá eu fumando meu cigarrinho (ainda largo dessa porcaria) quando começou a chegar uma galera de moto, no total dumas 20 aproximadamente.

 

A minha surpresa é que eram todas mulheres, com roupas de couro e motos adornadas de forma que evidenciava a feminilidade da sua dona. A grande maioria estava com Yamaha Virago 250. Tinha mulher de 18 até 30 e poucos anos. Achei muito legal e curioso porque naquela época, raramente víamos mulheres pilotando motocicletas.

 

Depois, papeando com uma delas, soube que pertenciam a um grupo motociclístico feminino - tipo clube da Luluzinha, onde homem não entra - aqui de Curitiba, e pegar estrada é um programa frequente do grupo. 

 


Foto achada num site canadense.

 

Em seguida elas voltaram para a estrada e depois de um tempo fui na mesma direção. A tocada delas era algo em torno de 100 km/h e logo as alcancei e ultrapassei. Todas retribuiram a buzinadinha de cortesia.

 

Vale ressaltar que nenhuma tinha homem na garupa. As poucas garupas eram também mulheres.

 

Segui meu caminho e não mais as vi.

 

Passados vários anos, hoje quando ando pela cidade, observo que tornou-se comum ver mulheres de todas as idades circulando com suas cubs, scooters e motos de 125 ou 250 cc, fazendo compras, levando seus filhos à escola e até trabalhando como moto-girl.

 


Elas estão por aí, basta olhar para o lado.

 

Acredito que não as vemos com frequência em motos de maior cilindrada porque a relação delas com as motos é mais prática e menos emocional - diferente das mulheres que vêem as motos como um simples e prático meio de transporte, nós homens nos deixamos envolver emocionalmente com um punhado de ferro e plástico e teimamos em considerar nossas motos como parte da família ou extensão do nosso ego. Mas há casos até famosos de mulheres com motos poderosas, como o da Cris R1 que tornou-se famosa nacionalmente por causa da sua relação com motos super-esportivas.

 

Num encontro de motoqueiros que acontece toda sexta-feira aqui na minha cidade, pude conhecer um senhor de 74 anos, dono de uma reluzente Harley Davidson Electra Glyde, que me disse que a esposa dele de 63 anos costuma viajar com ele por esse brasilzão afora, já tendo percorrido de moto, do sul ao nordeste. Detalhe: ELA TAMBÉM TEM UMA HARLEY e cada um vai com a sua. Mas esse é um caso isolado e não muito comum de vermos por aí.

 

Digo que é muito agradável ver unidas as nossas duas maiores paixões, moto e mulher, juntas, cena tão bonita como uma pintura de Picasso.

 

Observo também que quando os motoristas percebem que é uma mulher que está pilotando a reação é diferente, com mais cortesia e gentileza da que nós homens recebemos, isso porque a mulher pilota com mais delicadeza, paciência e doçura, qualidades que nos fazem tanta falta quando pilotamos.

 


Mulher pilotando na estrada, "muy belo, belíssimo".

 

Mulher no guidão; cada vez dividiremos mais o trânsito com elas. Muito bom isso, quem sabe elas contribuam para melhorar a péssima imagem que construimos perante à população.

 

 

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