Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Louco por motos

Insanidade ou fatalidade ?

por Mário Sérgio Figueredo, em 14.04.09

 

Tenho lido em vários sites de motos, comentários acerca do acidente recentemente ocorrido na Rodovia Anhanguera, cujo desfecho foi a morte de um policial do Estado de São Paulo. Os comentários se dividem quase igualmente em aqueles que defendem os pilotos das motos esportivas e os que criticam severamente os donos de supermáquinas.

 

Ao meu ver, aquele episódio não passou de uma fatalidade, uma sucessão de erros. Os caras aceleraram na hora errada e no local errado. Acidentes como esse acontecem todos os dias e não são cobertos pela mídia, porque passaram a ser coisa corriqueira e não despertam mais o interesse e a sensibilidade do leitor ou do telespectador. Esse foi diferente porque houve a morte de um policial que agia acima do dever, já que não era policial rodoviário e parou apenas para socorrer às vítimas como um cidadão comum. Lamento sua perda e apresento meus sentimentos à família.

 

Não vou defender os motociclistas que mataram o policial pois eles se comportaram como verdadeiros imbecis e por seus atos vão ter que ser responsabilizados, mas seria muita hipocrisia dizer que alguém em sã consciência compra uma Hayabusa para andar a 80 km/h. Impossível! Até de motos de 125cc a galera anda no limite máximo que o pequeno motor permite. Quanto maior a disponibilidade da cavalaria, maior é o ímpeto de enrolar o cabo. Ruim é que muitos desses que gostam de andar no limite não tem o necessário preparo para fazê-lo ou a mínima capacidade de descernir entre o local certo e o local errado para tentar exceder seus limites, e ainda preferem gastar um monte de grana para tunar a moto, ao invés de investir em equipamentos de segurança e cursos preparatórios como o SpeedMaster oferecido pelo Tite. Nossas rodovias tem lugar onde é possível andar bem acima da velocidade permitida, em grandes retas ou em curvas que permitem ver a uma distância segura para reações de emergência, agora entrar a mais de 200 km/h numa curva "cega" é no mínimo tentativa de suicídio ou de assassinato e é assim que esse caso deverá ser tratado pelas autoridades e pela justiça.

 

 

Ruim é que agora, todos os donos e pilotos de motos esportivas ou speed, tanto os bons como os maus, foram jogados no mesmo balaio e estão sendo taxados indistintamente como bandidos e delinquentes sobre duas rodas.

 

Há muito que vejo algo parecido na internet, principalmente no Orkut, onde pseudos bons motociclistas se veem no direito de "descer o sarrafo" nos motoboys, nos cgzeiros ou em qualquer outro piloto de moto pequena, classificando todos eles também como bandidos ou delinquentes sobre duas rodas. Agora, muitos destes que participavam do coro estarão "provando do próprio veneno" e sofrendo severa discriminação da polícia e da sociedade.

 

Generalizar é uma característica inerente ao ser humano. Se um cgzeiro passa com escapamento aberto, todos os donos de cg passam a ser marginais assim como dizer que todo negro é bandido ou que todo pobre é ladrão, estereótipos preconceituosos que atestam nossa ignorância e insensibilidade para com o outro.

 

Há algum tempo atrás, em Santa Catarina, uma carreta desgovernada atropelou e matou algumas pessoas que atendiam a um acidente numa rodovia, caso coberto insistentemente pela mídia escrita e televisiva, principalmente pela Rede Globo - que perdeu um de seus cinegrafistas naquele acidente - entretanto, em nenhum momento a Globo classificou toda a classe de motoristas carreteiros como bandidos ou marginais, comportamento diferente quando qualquer acontecimento envolve motociclistas. Não sei o por que da Dona Grobo age dessa forma contra os motociclistas, elegendo-nos como inimigos públicos número um no Brasil. Para a Dona Grobo somos considerados mais periculosos que traficantes, ladrões e assassinos. Os grandes fabricantes de motos do Brasil deveriam tomar conhecimento deste fato e deixar de anunciar na Globo até que ela mude sua postura com relação a milhões de bons motociclistas que usam a motocicleta com sabedoria e consciência.

 

Enrolar o cabo é bom demais mas pode custar muito caro pois normalmente, quando alguma coisa dá errado, paga-se o preço em vidas, tanto a do piloto como a de inocentes que não tem culpa da existência de tantos Valentinos Rossis em nossas ruas e estradas, gente que inocentemente sofre as consequências de atos insanos de outros que não respeitam ninguém, nem a si próprios.