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Louco por motos

Agora todo mundo é jornalista!

por Mário Sérgio Figueredo, em 19.06.09

 

Nesta semana o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou por quase unanimidade o fim da exigência de diploma da faculdade de Comunicação Social para exercer a profissão de jornalista. Isso significa que a partir de agora qualquer um pode ser jornalista, independente da sua escolaridade ou formação, o que funcionará como uma pena de morte imposta aos cursos superiores de jornalismo.

Eu sei exatamente o que isso significa, porque sou formado em Administração de Empresas, outro curso cuja profissão não é protegida por lei e portanto qualquer um pode ser administrador, fazendo-nos sentir que jogamos tantos anos de estudo, de idas e vindas diárias até à faculdade, de investimento em livros, de longas horas de estudo, tudo isso no lixo.

Ser administrador e agora jornalista, não é como ser advogado, médico, dentista, engenheiro, psicólogo, e outras tantas profissões que a lei obriga a formação específica para poder ser exercida. Culpa de quem não sei, só sei que é duro chegar na reta final da disputa de um cargo de gerente administrativo e perder para alguém que nunca entrou numa faculdade e nem sabe quem foi Peter Drucker, Frederick Winslow Taylor e outros considerados pais da administração moderna, nem o resultado histórico das tentativas de aplicação das várias técnicas de administração e muitas vezes para o "filho do dono" que acredita estar preparado para administrar.

Quem lucrará com esse fato será o empregador, uma vez que a oferta de "profissionais" no mercado crescerá exponencialmente, achatando ainda mais o já mirrado salário do jornalista.

Talvez a culpa seja nossa mesmo, por pertencermos a categorias desunidas ou de conselhos regionais pouco atuantes e sem a força política de uma Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ou um Conselho Regional de Medicina (CRM).

Olhando o fato por esse prisma, podemos afirmar que o STF provocou um retrocesso na profissão de jornalista, que por tabela prejudicará o leitor, a mídia, os telespectadores com a avalanche de matérias que circularão por aí, elaboradas por pessoas que não estão preparadas para escrevê-las dentro dos padrões éticos e até mesmo ortográficos.

Por outro lado será bom para pessoas que gostam ou tem o dom de escrever mas tem outra formação. Agora todos poderão ter seu próprio jornal, seu próprio site e não estarão na contra-mão da legislação, porque agora todos somos jornalistas, mesmo que não tenhamos frequentado sequer o primeiro grau.

Finalizando, afirmo que fiquei pasmo com essa decisão do STF pois sempre se falou que o jornalismo seria o QUARTO PODER no Brasil, o que constatamos agora, afinal, não ser um poder tão poderoso como se acreditava.

 

 

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