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Louco por motos

A cerimônia de escolha dos pais.

por Mário Sérgio Figueredo, em 04.01.10

 

Em 2005 meus pais fizeram bodas de ouro e como nossa família é católica, encomendamos uma missa onde nos reuniríamos com o objetivo de homenagear o casal.

 

Quando já nos preparávamos para ir à igreja, alguém me perguntou: - Quem vai fazer o discurso. A pergunta pegou-nos de surpresa porque ninguém havia pensado nisso e, portanto, nada, nenhum texto havia sido preparado.Sem alternativas, fui escalado para ser o orador da cerimônia; sentei à frente do computador pensando no que dizer.

 

Sei lá o que houve, não consigo explicar, as palavras foram fluindo e dando sentido ao texto que vou reproduzir abaixo. Foi mágico, mesmo no momento de lê-lo no púlpito da igreja, novas palavras foram se adicionando, carregando a mensagem de sentimento e emoção.

Leiam e tirem suas conclusões: 

 

A cerimônia de escolha dos pais

 

Seria tão bom se antes de nascermos, São Pedro nos chamasse lá no céu para a cerimônia de escolha dos pais.  Numa grande prateleira estariam homens e mulheres misturados, todos com currículo e diploma de formação da Faculdade da Paternidade, onde constariam suas notas de aproveitamento no longo curso de ser pai e mãe, ocasião em que teriam aprendido todas as técnicas modernas de como ser um pai e uma mãe perfeitos.

 

E então nós, através daquela vitrine, daquele mostruário, poderíamos escolher pais e mães que estariam próximos à perfeição e garantiriam a NOSSA felicidade. Poderíamos escolher pais ricos, pais aventureiros, pais amorosos, pais servis – que nos seviriam a vida toda, alimentando o nosso egoismo e o nosso egocentrismo.

 

Mas na vida não é assim, não podemos escolher nossos pais. Temos que nos contentar com aqueles que Deus escolhe para nós e nessa escolha, nem todos tem tanta sorte. Outros tem a sorte mas os pais os deixam muito cedo.

 

Nós, eu e meus irmãos, tivemos essa sorte, a sorte de ter não só um bom pai ou uma boa mãe, mas a sorte de ter ambos excelentes pais, que apesar de não terem frequentado a Faculdade da Paternidade, mostraram que ao invés de alunos, poderiam ter sido professores naquela escola, isso por muito tempo, porque até agora nenhum deles esmoreceu e nos deixou, continuam aqui dando-nos a alegria do seu convívio.

 

Nós da família Figueredo, eu Mário Sérgio, Fernando e a Áurea Cristina, tres irmãos, filhos de Armando e da Hauzima, fomos abençoados por Deus quando Ele decidiu essa escolha.

 

Ele pensou:  aqueles três vão ser privilegiados.  E realmente fomos. Temos pais que souberam durante o decorrer da vida, dar aos seus filhos: amor, dedicação, formação de personalidade e caráter, bons exemplos de vida e na relação com o próximo.  Ao invés de falarem – faça o que eu digo, nosso exemplo foi: faça o que eu faço.

 

Souberam em momentos difíceis, tropeçar, mas em seguida levantar e continuar a caminhada, carregando-nos muitas vezes nos ombros, sem nunca esmorecer.  Venceram batalhas por nossa causa.

 

E isso, acredito, só foi possível pelo amor que um sente pelo outro desde o primeiro encontro.  Viveram uma relação  intensa de amor, de afeto, de respeito e de complicidade durante toda a vida, gerando uma união que agora está completando 50 anos.

 

Num mundo em que vemos os casamentos desabarem como castelos de areia na praia, destruidos pelas ondas do mar, aqui estão nossos queridos pais completando meio século de convivência e, mais uma vez, dando aos seus filhos outro grande exemplo na vida, mostrando o que o amor e o respeito podem construir.

 

Aprendemos essa lição e também procuramos conviver com nossas família com amor e com respeito, pois vimos na prática que é uma receita que dá certo.

 

Desejamos que Deus dê ao Armando e à Hauzima, forças e saúde para continuar essa caminhada árdua pela vida.   

                       

Seus filhos e neta aqui presentes.

 


Quando terminei de falar, pude perceber que muitos dos presentes enxugavam lágrimas, talvez lembrando de seus pais, distantes ou que já tinham passado para outra dimensão.  Foi muito legal e gratificante aquele momento.

 

 

 

Estou publicando esse texto a pedido do meu pai, que guarda até hoje o papel que usei para ler o discurso.

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