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Louco por motos

INCOMPETÊNCIA (com letras maiúsculas)

por Mário Sérgio Figueredo, em 18.10.08

Hoje vou fugir um pouco das estradas mágicas, das motos e dos causos, simplesmente para falar sobre incompetência, despreparo e absoluta falta de pulso da polícia do Estado de São Paulo na condução do sequestro das duas adolescentes em Santo André.

 

Durante 4 ou 5 dias, não sei ao certo, fomos bombardeados a todo instante nos telejornais e nos plantões de todas as emissoras de TV sobre o desenrolar do caso. Eu não ligo a TV para ver estas coisas mas não tem como não ver porque alguém aqui em casa estava acompanhando e a nossa atenção acaba sendo atraida pelas manchetes sensacionalistas.

 

O que eu vi em muitas e muitas aparições do caso pela TV foi que o famigerado e covarde sequestrador era um alvo perfeito para as câmeras dos jornalistas. Poxa, se era fácil para os closes da TV, imagino quantas oportunidades a polícia perdeu de, utilizando um atirador de elite, acabar com aquele caso com um único tiro, certeiro, preservando a integridade física das duas jovens reféns.

 

Mas não foi o que aconteceu, porque alguém que conduzia o caso, simplesmente não deu a ordem. Várias vezes eu comentei com a minha esposa: cadê os atiradores de elite?

 

Devido à falta de culhões do comandante da operação, temos uma jovem de 15 anos que certamente não sobreviverá, e se sobreviver será com sequelas irreversíveis, já que a lesão provocada pelo tiro na cabeça provocou vazamento de massa cerebral, e outra jovem que levou um tiro na boca, que se não deixar cicatrizes físicas, deixará as psicológicas que nunca mais se apagarão.

 

Pior ainda, uma das jovens havia sido libertada e inacreditavelmente alguém deixou que a garota retornasse ao local onde havia um psicopata armado e disposto a tudo. Torno a repetir, inacreditável a sequência de erros primários nesse episódio.

 

E o que vai acontecer agora? O marginal vai ser julgado e deve pegar uns 25 anos de cadeia, que se cumpridos com bom comportamento sofrerá as reduções de pena previstas em lei, e no mais tardar em 6 ou 7 anos o "animal" estará em liberdade condicional, sendo reintegrado à sociedade.

 

Enquanto isso, os pais e a família da ex-noiva ainda estarão chorando sua perda ou tendo que cuidar de uma filha com sequelas motoras e mentais, pessoas inocentes submetidas a um calvário.

 

Eu moro no Estado do Paraná e aqui também temos a nossa polícia especial, que atua nestes casos, mas quando comparo a atuação com polícias de outros estados, me parece que a daqui age com mais objetividade e o resultado é que aqui o mocinho sempre vence e, claro, o bandido sempre se ferra.

 

Tivemos no Paraná muitos casos de sequestros e assaltos a banco executados por integrantes do Comando Vermelho e outras facções famosas do crime carioca e paulista, mas em praticamente todos os casos a nossa polícia mostrou que é diferente das demais e os bandidos se deram mal, invariavelmente, até que desistiram de praticar crimes no nosso estado.

 

O que acontece? Por que essa diferença? O treinamento é praticamente o mesmo. O que faltou no caso de Santo André?

 

Faltou que alguém em posição de comando desse a ordem de abater o sequestrador na primeira oportunidade em que ele colocasse a cabeça naquela janela, como o fez inúmeras vezes.

 

Lamentável! Espero que desse triste episódio sejam tiradas algumas lições que não tornem a se repetir. Que as futuras ações semelhantes se espelhem na forma de agir da polícia americana, cuja ordem é não perder nenhuma oportunidade de garantir a segurança dos reféns, mesmo que isso custe a vida do sequestrador.

 

À família, meus pêsames.

 

À polícia especial do Estado de São Paulo, também os meus pêsames.

 

 

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