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Louco por motos

Causos: Ferrões abelhudos

por Mário Sérgio Figueredo, em 23.10.08


Carlão, você pediu, está aí!

Quem manda neste nosso boteco é o cliente.

 

Antes as coisas eram mais difíceis de comprar no Brasil (década de 70 e início dos anos 80), devido à nossa indústria pouco desenvolvida, e o que se fabricava era de qualidade tecnologicamente  deficiente, fase que os chineses estão passando hoje; produtos de qualidade superior tinham como destino certo a exportação.

 

Um exemplo típico disso eram as calças Lee. O tecido era fabricado aqui em Santa Catarina, se não me engano pela Alpargatas, mas por força de contrato o fabricante não podia vendê-lo no mercado nacional. Toda a produção embarcava diretamente para os EUA, a preço de país de terceiro mundo, e voltavam ao Brasil já em forma das conhecidas e desejadas calças, a um preço aviltante.

 

Calça Lee era coisa de bacana e custava mais que um salário-mínimo. Não era diferente com as roupas específicas para motociclistas cujo objeto do desejo era a jaqueta de couro com zíper transversal, bem ao estilo dos motoqueiros mostrados nos filmes americanos.

 

Seguindo essa tendência, depois de economizar um monte, consegui ir numa loja e comprar a tão sonhada jaqueta de couro da marca Honda.

 

Pãtz, que jaquetão, fazia o maior sucesso, principalmente com as garotas e eu me sentia o último biscoito do pacotinho.

 

Mas como nem tudo é perfeito, ela tinha uma falha de projeto; entre a parte superior da jaqueta e o queixo do capacete, ficava uma parte do pescoço exposta e também as mãos, pois eu não tinha conseguido economizar o sufiente para comprar as luvas. Levava cada "bezourada" e cada pedrada no pescoço e nas mãos, que chegava a quase chorar de dor. Mas até aí tudo bem, susportável.

 

Nessa época o uso do capacete era opcional e pelo menos metade dos motoqueiros não usava. Eu não abria mão do capacete e da viseira, imaginando uma "insetada" no rosto ou até no olho, o que poderia trazer consequências mais sérias.

 

O pior aconteceu numa ida pra assistir a uma corrida de motocross e encontro de motoqueiros na cidade de Rio Negro-Pr, 100 km de Curitiba pela BR-116. Não deu tempo de desviar de  um enxame de abelhas. Caraca meu, que sufoco, paramos na hora e pra minha sorte estávamos em grupo, e pude contar com a ajuda de companheiros para retirar ferrões das abelhas que ficaram encravados na minha pele do pescoço e das mãos, e também ajudei no socorro aos amigos. De mim, foram retirados uns 10 ferrões, mas a dor continuou por um bom tempo. A viseira do capacete ficou melecada de abelha esmagada, daí fico imaginando o que teria acontecido se eu estivesse sem o abençoado capacete.

Isso fez com que eu mudasse meus hábitos e daí pra frente a galera ficava perguntando o por quê d'eu usar cachecol ou lenço mesmo nos dias quentes - e também nunca mais viajei sem luvas.

 

Eu, depois de duas experiências anteriores (uma delas será contada no texto "Até hoje me arrepio") nada agradáveis, não saia de moto sem capacete. Como sempre naquela viagem eu estava de capacete com viseira, mas alguns companheiros não o usavam e porisso levaram um monte de ferroadas no rosto - incha na hora e o cara fica parecendo o Frankstein. Pode até transformar-se num caso fatal caso o sujeito tenha alergia às substâncias contidas no veneno que é injetado pela picada.

 

Esse negócio de andar sem capacete sempre foi uma "furada". Teve colega que chegou a levar tombo com uma "passarinhada" na testa e ser praticamente nocauteado em cima da moto. Eu mesmo posso garantir que minha vida já foi salva por ele num acidente que sofri quando um moleque de 16 anos dirigindo, furou o sinal vermelho e eu acertei a porta do motorista. Com o impacto, fui projetado no chão, batendo com a nuca do capacete no chão. O capacete chegou a rachar tamanha a força do impacto. O que teria acontecido se eu não o estivess usando? Bem, deixa para lá.


Companheiro inseparável

 

E vejo um enxame de abelhas como um evento até sem importância, imagine um enxame de marimbondos, vespas ou até mesmo aquele abelhão preto que eu conheço como mamangava. Só de pensar dá um calafrio na espinha.

 

E agora a coisa tá pior por causa dos vários acidentes com cerol que vemos diariamente nos noticiários - vi num site especializado no tema algumas feridas e cicatrizes no rosto e pescoço, provocadas por cerol - dá medo só de olhar. 

 

 

Qualquer experiência dolorosa a gente jamais esquece. É aprendizado pro resto da vida.

 


Quadrinhos: contribuição Carlos CC

  

 

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