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Louco por motos

Causos: Humor negro

por Mário Sérgio Figueredo, em 31.10.08

 

Na nossa turma tinha um cara chamado Vilmar, dono de uma Yamaha 100cc que ele usava diariamente para ir ao trabalho e também para o lazer. O detalhe é que o Vilmar foi atropelado por um caminhão ainda quando criança e nesse acidente, lamentavelmente, perdeu a perna direita, bem no meio da coxa o que o obrigava a usar uma perna mecânica ou postiça.

 


Yamaha 100 LS3 ano 1972

 

Mas o Vilmar, apesar da prótese, que era fixada ao que restou da perna dele através de correias afiveladas nos quadris, pilotava que nem gente grande. Andava muito e fazia curva como ninguém, mesmo contando apenas com o freio dianteiro, que era de lona, nada de disco, requinte que só tinha nas motos grandes.

 

Numa bela noite, dando uns rolés de moto pela cidade, bem em frente a uma loja de motos aqui de Curitiba, o Vilmar vinha todo feliz com a sua "cenzinha" quando foi fechado por um carro dirigido por uma mulher.

 

O choque não foi lá grande coisa, apenas um esbarrão, mas o Vilmar acabou tomando um chão. Com a queda a cinta se desprendeu da cintura e a perna mecânica escorregou pela calça jeans sem sair totalmente.

 

A mulher, motorista do carro, quando viu a perna que ela não sabia que era postiça, toda torcida e desproporcional à outra original, entrou em pânico e começou a gritar.

 

- Ai meu Deus, o que foi que eu fiz... Meu Deus, me ajude... e outras coisas mais.

 

O Vilmar vendo que a mulher estava quase em choque, levantou-se, pegou a perna postiça com as mãos e foi até à mulher, saltitando na perna boa, incorporando o próprio Saci Pererê. Pegava a mão dela, batia na perna mecânica e dizia que não era a perna dele mas a mulher não voltava à real, até que ela foi se acalmando e entendeu o que tinha acontecido e tudo ficou bem.

 

Depois ela pagou todo o conserto da moto, apenas o mata-cachorro, manete, espelho e piscas.

 

Rimos muito desse acontecimento, foi o assunto preferido no nosso meio durante algum tempo, rendendo muitas e muitas risadas quando o ocorrido era contado pelo próprio Vilmar.

 

 

 

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